Amsterdam - Nas últimas semanas cultivo um silêncio misto de perplexidade e arrependimento. Perplexo pelo momento político brasileiro, que inspira cuidados. O arrependimento: como é que não percebi isso antes? O Experimento Brasil, realizado com sucesso há 50 anos pelas Organizações Globo, ensina como criar artificialmente a identidade nacional via futebol, jornalismo e telenovelas. Uma combinação que consegue integrar a nação dividida com pequenos mimos, pequenos memes, hashtags mordazes.
Novelas de temática emocional estimulam o telespectador a contribuir com doações, dinheiro e até sangue. Basta a TV mandar e teremos uma nação de solidários. Basta a TV mandar e teremos uma nação de jihadistas. Nesse experimento nazistóide-orwelliano, a nação teleguiada aprende a odiar os vilões de telenovela como aprende a odiar as personae non gratae do telejornalismo. E aprende a polarizar opiniões, ideologias e conceitos como nos Fla-Flu de domingo.
Essa experiência, transferida para a realidade, não causará alterações perceptíveis na psique geral. Um programa da TV Globo que se define como "show de realidade", apresentado por um ex-jornalista, dá a medida desse pesadelo. Teleguiados acompanham cada movimento do tal programa. Gastam bastante dinheiro pagando a versão pay-per-view e PAGAM para "votar" nos seus preferidos, numa inversão de valores, já que a cada eleição, os mesmos telespectadores VENDEM seu voto. O desconhecimento programado da linha que separa realidade e ficção leva o brasileiro neopolitizado a amar o Grande Irmão, ainda que não entenda seu significado. Enquanto isso, Fátima Bernardes dança, dança, dança.
Novelas de temática emocional estimulam o telespectador a contribuir com doações, dinheiro e até sangue. Basta a TV mandar e teremos uma nação de solidários. Basta a TV mandar e teremos uma nação de jihadistas. Nesse experimento nazistóide-orwelliano, a nação teleguiada aprende a odiar os vilões de telenovela como aprende a odiar as personae non gratae do telejornalismo. E aprende a polarizar opiniões, ideologias e conceitos como nos Fla-Flu de domingo.
Essa experiência, transferida para a realidade, não causará alterações perceptíveis na psique geral. Um programa da TV Globo que se define como "show de realidade", apresentado por um ex-jornalista, dá a medida desse pesadelo. Teleguiados acompanham cada movimento do tal programa. Gastam bastante dinheiro pagando a versão pay-per-view e PAGAM para "votar" nos seus preferidos, numa inversão de valores, já que a cada eleição, os mesmos telespectadores VENDEM seu voto. O desconhecimento programado da linha que separa realidade e ficção leva o brasileiro neopolitizado a amar o Grande Irmão, ainda que não entenda seu significado. Enquanto isso, Fátima Bernardes dança, dança, dança.
