Bryan Cranston conseguiu fazer de Sneaky Pete (Amazon) um sucesso à altura de Breaking Bad. Séries como Game of Thrones são grandiosas, mas não há figurino ou grande incêndio que supere um bom roteiro.
Thursday, 23 February 2017
Wednesday, 22 February 2017
O zumbido
Hoje faz XXX dias que identifiquei o zumbido. No meio da manhã acordei com um ruído alto. Talvez um aparelho ligado. Procurei a fonte do ruído no apartamento e na varanda, até perceber que ele vinha de dentro. O som combinado de válvula de TV antiga com turbina de avião em solo estava lá, no interior de meus ouvidos. Não preciso ou não quero ou não sei se sei descrever a angústia das primeiras horas. Entrei em luto. O silêncio irremediavelmente perdido. Um minuto de silêncio pela morte do Silêncio.
Desde então, convivo este companheiro inseparável, o zumbido. Que às vezes desaparece entre sons de passarinhos, carros, gaivotas e risos de crianças nesta tranquila aldeia de 18 mil almas, lugar que escolhi pelo mar, pelos pássaros, pelo silêncio. Achava que ia escrever mais, cozinhar mais, pensar mais, caminhar na praia mais, fazer coisas mais. Aí percebo que o mais, como o mar, está além do que somos, além de onde estamos. Mais é muito. Mas mais é também menos. Menos concentração.
Chumbei no doutorado. O zumbido é alto, debilitante. Desisti aos poucos, mais debilitado a cada aula. O zumbido instalou-se, arrumou a cama do seu jeito preferido, come com tranquilidade e é certo que lê e escreve melhor que eu. Às vezes consigo ignorá-lo. Quando converso com meu filho, escuto música, vejo um filme ou um telejornal. A aparente tranquilidade com que encaramos a solidão é desafiada quando a cabeça é uma panela de pressão.
Com tempo e com pílulas o zumbido é admitido em nossa vida. Hoje percebo que o zumbido esteve sempre ali, que me acompanha desde pequeno, quando morava no interior da Venezuela, os grilos dormiam e o silêncio doía. Parece ter cansado de ser ignorado. Quer toda a minha atenção. Há cerca de 10 anos tive uma otite severa, tive que ser sedado com morfina. O zumbido pode ser a volta de um problema auditivo.
Tuesday, 21 February 2017
Aquele disco do Supertramp
Ouvi tantas vezes o Paris do Supertramp, que lembro de gritos da plateia. Um dos grandes discos de rock gravados ao vivo, com versões definitivas de Hide in your shell e Logical Song. Para minha surpresa, foi inteiramente filmado. Reza a lenda que Roger Hodgson reprovou o trabalho feito por um realizador da BBC. Muitos anos depois as imagens e o áudio original foram encontradas num depósito empoeirado na fazenda do baterista Bob Siebenberg. Transformado em Blu-ray em 2012, o vídeo contém versões de Goodbye Stranger e Breakfast in America ausentes do disco duplo de 1980. Agora esta preciosidade pode ser apreciada no Youtube.Monday, 20 February 2017
Saturday, 4 February 2017
Friday, 3 February 2017
"Nos homens e nas mulheres comuns há uma certa quantidade de ativa maldade, sob forma de uma má vontade dirigida contra possíveis inimigos e de satisfação espontânea perante o mal alheio. Habitualmente, isso é simulado sob a capa de frases amáveis - metade da moral convencional não passa de uma máscara. É necessário tomar plena consciência de tal fato se se pretende realizar a finalidade da moral: melhorar a nossa conduta. A maldade revela-se de mil maneiras, umas importantes, outras insignifcantes: na satisfação manifestada pelos que propalam e acreditam no escândalo; no modo deplorável como se tratam os criminosos, quando se sabe que um melhor tratamento seria mais benéfico à sua reabilitação; no barbarismo incrível com que os negros são tratados pelos brancos. Essa maldade ativa é um dos aspectos mais desagradáveis da natureza humana, que se torna necessário modificar para tornar o mundo mais feliz. É verossímil que ela represente uma das causas mais vulgares da guerra, sobrepondo-se à conjugação das razões económicas e políticas."
(Bertrand Russel, filósofo galês.)
(Bertrand Russel, filósofo galês.)
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