quinta-feira, 31 de março de 2016

Faro - A Casa Grande sofre com as mudanças sociais, aceitemos o fato. E parte da Senzala, solidária, late em sua defesa. É emocionante ver a patinha levantada, o deitar e rolar obediente, na esperança de que sinhozinho lhe afague a cabeça. Porque as transformações sociais dos últimos anos serviram até para isso: deu dinamismo aos dormentes; o direito de rosnar por uma classe/espécie a qual não pertencem. O fenômeno do escravo contente não é novo, mas a Sociologia agradece. Eis porque prefiro gatos a cães.

quarta-feira, 30 de março de 2016

Bruxelas - Uma semana depois dos atentados, a vida segue normal na capital da União Europeia.
Pessoas circulam, normais.
A temperatura é normal.
Trens e metrôs pontualmente normais.
Bruxelas é a mesma da semana passada a não ser um pequeno acréscimo no policiamento. É provável que o ataque tenha sido mais direcionado à capital da União Europeia que à capital da Bélgica.
A estação Maalbeek fica a poucos metros da sede do governo. Entretanto o recado ainda é confuso. O que querem provar os fanáticos religiosos da Europa?
O que querem provar os fanáticos religiosos do Brasil? 








terça-feira, 29 de março de 2016

Amsterdam - Nas últimas semanas cultivo um silêncio misto de perplexidade e arrependimento. Perplexo pelo momento político brasileiro, que inspira cuidados. O arrependimento: como é que não percebi isso antes? O Experimento Brasil, realizado com sucesso há 50 anos pelas Organizações Globo, ensina como criar artificialmente a identidade nacional via futebol, jornalismo e telenovelas. Uma combinação que consegue integrar a nação dividida com pequenos mimos, pequenos memes, hashtags mordazes.

Novelas de temática emocional estimulam o telespectador a contribuir com doações, dinheiro e até sangue. Basta a TV mandar e teremos uma nação de solidários. Basta a TV mandar e teremos uma nação de jihadistas. Nesse experimento nazistóide-orwelliano, a nação teleguiada aprende a odiar os vilões de telenovela  como aprende a odiar as personae non gratae do telejornalismo. E aprende a polarizar opiniões, ideologias e conceitos como nos Fla-Flu de domingo.

Essa experiência, transferida para a realidade, não causará alterações perceptíveis na psique geral. Um programa da TV Globo que se define como "show de realidade", apresentado por um ex-jornalista, dá a medida desse pesadelo. Teleguiados acompanham cada movimento do tal programa. Gastam bastante dinheiro pagando a versão pay-per-view e PAGAM para "votar" nos seus preferidos, numa inversão de valores, já que a cada eleição, os mesmos telespectadores VENDEM seu voto. O desconhecimento programado da linha que separa realidade e ficção leva o brasileiro neopolitizado a amar o Grande Irmão, ainda que não entenda seu significado. Enquanto isso, Fátima Bernardes dança, dança, dança.  

terça-feira, 22 de março de 2016

Boa Vista - Vinte e oito mortos e 106 feridos em explosões no aeroporto e no metrô de Bruxelas. Milhares de imigrantes do oriente médio, europeus do leste, sírios e turcos encontram trabalho e vida digna neste belo e receptivo país. O terrorismo é mais inveja que ódio.

terça-feira, 15 de março de 2016

Boa Vista - Meu livro "Índio na Rede: Ciberativismo e Amazônia" será lançado oficialmente em 19 de abril (Dia do Índio), na Alemanha. A primeira leitura ocorre daqui a pouco na sala 140 do Bloco I (CCLA) da UFRR. No Colóquio "Ciberativismo e Amazônia", teremos a participação de profissionais de diversas áreas do conhecimento. Debateremos ambiente, povos originários e tecnopolítica.

Satanistas são clientes insatisfeitos.