
Mais fiel à história de Roraima que certos livros já publicados com o carimbo da política partidária e anti-indígena, Laucides acerta ao misturar memórias pessoais e história. Lembra Eric Hobsbawn em "Tempos Interessantes". Laucides jantou com Juscelino Kubitschek nas obras de Brasília e assistiu à final da Copa de 1950: uma vida rica. Vida de jornalista.
Há passagens poéticas, como a que narra a confusão entre o som de um avião distante e o barulho do vento na boca de uma garrafa perdida no Maciço das Guianas. Tem Dick Farley, Jazz e Still Pan. Tem classe, artigo em falta na imprensa hodierna. Tem saborosos lugares-comuns que só ficariam bem no texto de Laucides, um de meus gurus pessoais da profissão.
Para quem vive a era dos relacionamentos fugazes e divórcios em série, o eterno romance com a mulher Clotilde surpreende. A mistura eficiente de biografia, romance e história que compõe o primeiro livro de Laucides merece uma segunda edição mais cuidadosa de seus poderosos patrocinadores. Nosso dinossauro mais ilustre merece.