segunda-feira, 18 de julho de 2016

Montreal, Julho de 1976. Nadia Comaneci tem apenas 14 anos e está concentrada ao lado das barras assimétricas, para onde olha com seriedade. Do outro lado, uma enorme câmera de TV a distrai por um décimo de segundo, mas ela logo se posiciona, respira fundo e dá uma pequena corrida de três passos. Salta com os dois pés sobre o propulsor e voa sobre a primeira barra, as pernas num ângulo de 180 graus. Agarra-se à barra mais alta, faz um controlado movimento de pêndulo inicialmente acelerado, como mostrariam depois as imagens em câmera lenta. Usa os pulsos para controlar a velocidade. Três movimentos obrigatórios depois, choca os quadris contra a barra menor, os pés quase a tocar o rosto. Passa três vezes de uma barra a outra a executar os movimentos obrigatórios, antes de tomar impulso e aterrissar cravada no chão, os braços erguidos, um sorriso consciente do trabalho bem-feito. Pela primeira vez a ginástica olímpica atingia a pontuação perfeita, a nota 10. Há quarenta anos, hoje.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Sei bem o que é o desencanto por assistir um projeto de nação ir por água abaixo. Desencanto que não começou agora. O que vemos agora é o rescaldo, a ressaca, a maré baixa, as consequências de um conjunto de erros e conjunturas (que vão da concentração midiática ao aparelhamento de grupos religiosos) às nossas divisões internas que sempre nos afetaram mais que os ataques da direita.

Claro, a dialética é da nossa natureza e assim seguiremos. Mas em algum momento é preciso unir as diferentes esquerdas em torno de um bloco coeso. Não se trata da negociação com o centro - tem coisa pior que o centro? -  que gora governos desde sempre. Mas da superação de microfilosofias, orgulhos desnecessários.

A guinada à direita é mundial, e quer queiramos ou não, o Brasil protagonizou um dos maiores episódios de ascensão internacionalista da direita. Irradiador. Contribui para a instabilidade de uma série de lugares, da Argentina à Polônia. O que vemos na Áustria agora é GOLPE com todas as letras. A França caminha perigosamente para um governo de intolerância. É questão de tempo. E Donald Trump não é piada.

Enfim, não sou filiado a nenhum partido e não voto há quatro eleições porque além do desastroso segundo governo de Lula, não houve reforma no sistema político e o poder deve continuar concentrado e dependente do financiamento de corporações. Penso humildemente que um "Fora, Temer" está imbricado diretamente a um "Volta, Dilma". Não que devamos adotar esses slogan, longe disso. Mas reconhecer que o estado de direito foi interrompido e que uma pessoa pública contra quem lutei em duas greves e não recebeu nossa comissão, precisa voltar ao cargo para o qual foi eleita, com dinheiro da Odebrecht ou não (quem não?), para que voltemos a lutar com ela. Porque o golpista Temer não nos merece enquanto adversários. Tem que sair e rápido. #ForaTemer

terça-feira, 28 de junho de 2016

Ouvi Always Somewhere pela primeira vez num intervalo de ensaio da Naja, graças ao Odely Sampaio. Fomos levados até o impressionante estúdio caseiro, Marcelo Fortes e eu, pelo insubstituível Mário Wander (IM). Foi há tanto tempo que parece ter sido noutra vida. Hoje tem show do Scorpions em Lisboa. A banda completa 50 anos em atividade.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Aos meus filhos

A História supera hipóteses. História é ciência testada e avaliada no mais alto grau de refinamento. A única que enterra todas as verdades temporárias que tentam nos encabrestar.

domingo, 19 de junho de 2016

As condições sob as quais sou compreendido, sob as quais sou necessariamente compreendido – conheço-as muito bem. Para suportar minha seriedade, minha paixão, é necessário possuir uma integridade intelectual levada aos limites extremos. Estar acostumado a viver no cimo das montanhas – e ver a imundície política e o nacionalismo abaixo de si. Ter se tornado indiferente; nunca perguntar se a verdade será útil ou prejudicial... Possuir uma inclinação – nascida da força – para questões que ninguém possui coragem de enfrentar; ousadia para o proibido; predestinação para o labirinto. Uma experiência de sete solidões. Ouvidos novos para música nova. Olhos novos para o mais distante. Uma consciência nova para verdades que até agora permaneceram mudas. E um desejo de economia em grande estilo – acumular sua força, seu entusiasmo... Auto-reverência, amor-próprio, absoluta liberdade para consigo...

Friedrich Nietzsche - O Anticristo

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Astrolábio
(Orblua)
Oh mar, doce mar, que segredos tu escondes?
Ninguém sabe quem ou o que é que tu és
O velho no cimo do monte avistava
Um navio partia sem rumo ao destino
Apenas um velho astrolábio guiava
Aquele frágil barco que por certo naufragava
Astrolábio, velho lobo do mar
Tu que tornas redondo este plano mundo
Ensina-me o rumo a tomar como certo
Conduz-nos a todos por marés e por mares
Que marinheiros nós somos deste mar oceano
Habitantes nós somos deste Grã Portugal
Portugal, Portugal, nobre país de mar
Tão parco de terra e tão rico de água
O fogo já extinto, no ar paira saudade
No oceano encontramos a certeza de estar
E tens um astrolábio e uma vela de pano
E nós navegaremos por esse mundo nosso

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Sobre crianças e armas

A empresa chama-se Fairchild. Child significa criança. Fair é feira, mas pode significar justo, correto. Ambas as traduções são interessantes.

Nos anos 1950, a Fairchild desenvolveu a ideia de Eugene Stoner para um fuzil de assalto leve, que permitia matar mais em menos tempo. O fuzil chama-se AR-15. Ao longo do tempo passou de 4 para pouco mais de 2 quilos de peso. Aperfeiçoado, hoje mata pessoas com impecável qualidade a 600 metros de distância. Despeja 800 balas por minuto. Quando disparadas, as balas voam a 3,5 mil quilômetros por hora. Cada bala pesa 20 gramas. É o fuzil preferido de assassinos em série, responsável por 14 massacres nos últimos 10 anos. Dezenas de vítimas eram crianças. Fairchild...

No último fim de semana, o norte-americano Omar Mateem saiu de casa em Port St. Lucie e dirigiu 200 quilômetros para matar gays na Boate Pulse, em Orlando. Usou o fuzil e outras armas. Foi bem-sucedido em 50 assassinatos. Deixou 53 feridos e alcançou um novo recorde com a maior chacina individual do país. A título de comparação, no Brasil 50 pessoas são assassinadas de 8 em 8 horas. O país do samba promove três massacres-recorde a cada dia.

Quanto a Eugene Stoner, é considerado o maior designer de armas de fogo de todos os tempos. Morreu aos 75 anos em 1997, em paz, rico e ao lado da família. Tem lugar garantido na História. As vítimas de sua grande obra são esquecidas pouco depois de assassinadas. Exceto pelas famílias.

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Sete samurais

Toda estrada tem um preço. A beleza que os olhos veem poucas vezes é partilhada com a família; a felicidade de ter muitos amigos convive com a frustração de nunca ver todos reunidos. Porque estão em toda parte: em cidades com nomes de santos, de pedras, de acidentes geográficos. Em clima equatorial, sub-tropical, temperado, desértico. São orientais, negros, mestiços, caucasianos, índios, hindus. Vivem nas alturas andinas, em praias, no alto de edifícios em super cidades, no meio da selva amazônica, em aldeias, savanas e planaltos. Uma lista interminável lembrou do 9 de junho. Não poderia nominá-los. Então pensei em listar as cidades, mas também seriam muitas. Listar países é maçante. Nunca poderei reuni-los, mas ontem em Faro um grupo representou bem a todos. Scott Fitzgerald dizia que as melhores reuniões têm sete convidados. A noite foi especial, e por isso agradeço Luís, Paula, Pedro, Laura, Nuno, Teresa e Rogério.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Sobre jazz e novembros


Na noite de 9 de novembro do ano da graça de 1971 d.C., a boa, velha e fria Copenhague estremeceu diante de Thelonious Monk, Dizzy Gillespie, Art Blakey e outros monstros. Na boa, velha e fria Copenhague flanei e comprei CDs de jazz em novembro do ano errado. Não era 1971.

sábado, 4 de junho de 2016

A intolerância e o pensamento obtuso crescem na mesma velocidade que morrem os que lutam por justiça. Um dia, só restarão lobos e cordeiros e haverá uma felicidade artificial uma com todos os pássaros mortos.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Educar pressupõe que salvar vidas e exercer a cidadania têm a mesma importância. O sucesso do Projeto Alemão deriva de uma habilidade rara na limitada selva do capitalismo: nunca reduzir o papel da educação na vida das pessoas.

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Uma publicação do Facebook.

Um sonho

Sonhei que estava em Amsterdã, com minha mãe. Andávamos de mãos dadas, entre a Overtoom e o Vondelpark. Conversávamos sobre a minha infância. Chovia, mas não estava frio. Tão longe, tão perto. 

sábado, 28 de maio de 2016

Flôr Varela

Casal brasileiro. Terceira idade. Retirados. Aposentados. Férias. Restaurante. Melhor idade. Europa. Lugar-comum. Assoberbados. Elitistas. Impaciência. Crítica. Economia. Inconsciência. Neo politizados. Lugar-comum. Memória? Não. História? Não. Imóveis. Sim. Armas. Sim. Consumo. Sim. Memória? Não. História? Não.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Na era da informação de massas, a direita e a religião (separação retórica para fins didáticos) elevam o conceito de hipocrisia a patamares nunca atingidos. A aceitação só depende do prefixo "ex": ex-criminoso, ex-prostituta, ex-drogado, ex-umbandista, ex-homossexual, ex-qualquer coisa. Todos terão lugar em suas fileiras. A redenção torna-os fortes e militantes. Quando qualidade importa menos que número, a ciência perde significado

sexta-feira, 20 de maio de 2016






O ódio só faz mal a quem o sente. Rouba o ar. A pessoa que sofre de ódio engasga, sufoca, convive com o afogamento. Porém, o ódio pode ser criado artificialmente, manipulado, canalizado. Pode entranhar na cultura. Para isso, basta usar perversamente a comunicação de massa. Pelo poder, a elite dissemina o ódio sem nenhum remorso. Este será cada vez mais ampliado e direcionado até transformar-se em violência.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

O pobre capitalista reclama
e nunca compreendeu
onde foi parar a grana
que pediu e Deus não deu
fica com ódio ao saber
que mesmo sem oração
qualquer socialista ateu
tem maior satisfação
é o azar de Prometeu
e a sorte de Pandora
o primeiro ora e chora
o outro aplica o que leu
um ajoelha e clama
o outro segue sem drama
um vive da vassalagem
e defende a opressão
no fim comerá lavagem
talvez um pouco de pão
pois quem louva o capital
perde de Deus o perdão
comete pecado mortal
e não vai para o céu, não

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Mudanças sociais não surgem da massa em sua eterna espera de comando, de direção. Surgem de um pequeno grupo de pessoas, ideias e vozes. Gente que se dedica a melhorar a vida dos que ignoram, criticam ou atacam a vanguarda. Mudanças sociais não devem ser confundidas com convulsões sociais.
Hoje é Dia da Língua Portuguesa. Dia da sonora, romântica, proparoxítona, musical, rica língua portuguesa, quinto maior idioma do mundo, com 280 milhões de falantes. São pelo menos 10 milhões (!) de palavras. Insondável idioma. Língua é pátria, não é umbigo. Essa visão coxinha de identidade nacional, que atinge todos os estratos, de políticos a cientistas; de artistas a religiosos; de poetas a escritores, é confete auto-indulgente. PAREM JÁ COM ISSO! A grandeza da pátria não é medida em cores, metros quadrados, linhas imaginárias, esse misto de ingenuidade e canalhice que manipuladores na política, nas artes, nos meios de comunicação chamam de patriotismo. Pátria é outra coisa. Valorizar a língua portuguesa é valorizar o ouvido. Não é valorizar o umbigo. Chega desse comportamento obsequioso, alto-indulgente, orgulhoso. Dessa incapacidade de diálogo com a América Hispânica. Dessa incapacidade de diálogo inter-regional. Dessa incapacidade de diálogo com lusófonos de África, Ásia e Europa. Parabéns a quem escreve, que mantém a língua viva. Mas não há mérito nenhum no desconhecimento de outras. O monoglota morre de uma fome que não sabe que é fome, porque escolheu ignorar outros sons, outras palavras. Ou em bom português (brasileiro): chega de papo furado, cambalacho, disse-me-disse, babaquice, essa bagunça cívica sem sentido. Português é lindo. Ridículo é o fascismo.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

No ano passado o Facebook subiu sem parar. Sessenta milhões de novos usuários entraram na rede. Lucro maior que o PIB do Suriname. Acionistas curtem isso. Mas no fim, bem lá no fim, o que interessa são as pessoas. O que fazem na rede. Se compreendem o fim.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

A ciência da adaptação

Faro - O lobo temporal é uma região fascinante do cérebro humano. Cada um dos lobos (esquerdo e direito) concentra funções como olfato, habilidade discursiva, memória de longo prazo e resoluções de conflitos.

Há cerca de 10 anos, estudos feitos por duas universidades norte-americanas comprovaram que o processamento neurocognitivo é reduzido em pessoas politicamente à direita. Quando confrontadas com uma situação nova ou diferente da habitual, estas sofrem dificuldades de adaptação e tendem a apresentar um comportamento sistemático e persistente.

As observações com ressonância magnética e leitura de sinais elétricos mostraram  que em pessoas de orientação politicamente liberal há mais neurônios na região conhecida como circunvolução cingulada anterior. Pessoas de esquerda têm mais facilidade para lidar com novas situações e mudanças sociais por conta dessas diferenças. A avaliação neurofisiológica foi certeira que serviu para prever com bastante exatidão se os participantes tinham votado em John Kerry ou George Bush na eleição de 2004 nos Estados Unidos.

Há uma matéria interessante aqui.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Just a perfect day



Faro - Abril é um mês importante para nossos países, unidos pelo mar, pelo idioma e pelo futebol. Mas as semelhanças entre Brasil e Portugal acabam aí. Estamos em margens opostas não apenas do oceano. Hoje vivemos duas realidades distintas. Somos povos que escolheram viver sob diferentes perspectivas.

O Brasil amanheceu sob uma ditadura militar em primeiro de abril de 1964. Convencidos pelas elites, pelos meios de comunicação, setores religiosos e militares, o povo foi às ruas contra o socialismo e apoiou um regime que subtraiu o direito de escolher presidentes por 35 anos.

Portugal viveu mais de 40 anos sob o Estado Novo, regime ditatorial que impôs ao país uma nova idade das trevas e silenciou artistas e intelectuais. Muitos morreram, outros buscaram o exílio. Os anos de chumbo no Brasil também foram anos de chumbo aqui. Brasileiros que fugiam para a Europa buscavam França, Alemanha, Itália e outros países menos sujeitos à perseguição.

Foi numa manhã de 25 de abril, em 1974, que Portugal escolheu a liberdade, num evento que ficou conhecido como a Revolução dos Cravos. Militares rebeldes depuseram o salazarismo sem guerra civil e saíram de cena em nome da democracia. Dois anos depois foi promulgada a Constituição Nacional, em 25 de abril de 1976. Este dia é feriado em Portugal. É o Dia da Liberdade. Todos comemoram este dia. Em todo o país, praças e espaços públicos são ocupadas com teatro, música e dança.

Em pleno 2016, uma semana antes do Dia da Liberdade em Portugal, o Brasil viu-se diante de um golpe branco promovido pelas mesmas elites, pelos mesmos meios de comunicação, pelos mesmos setores religiosos e militares. Portugal comemora a liberdade. O Brasil comemora a perda da liberdade.

Ontem o dia estava frio e cinzento, mas à noite a lua apareceu e as comemorações começaram. Grupos folclóricos, coros e uma banda com músicos de Brasil, Portugal e Angola mostravam nossa integração possível e desejada. Hoje o sol apareceu, brilhante. Caminhei com amigos na praia, De Faro, olhei o mar na tentativa de ver um país que naufraga. Mas já não o vejo. Tanto mar.


domingo, 24 de abril de 2016

Brasil redefine o conceito de escravidão

Faro - Enquanto o brasileiro neo politizado celebra ruralistas, pentecostais e torturadores, avança na Câmara o projeto mais nefasto desde que se decretou o fim da escravidão em 1888. Vejamos seus personagens:
Princesa Isabel do Brasil foi a primeira mulher a administrar o país. Há anos D. Pedro II tentava dar fim à escravidão, mas não obtinha sucesso porque os ruralistas não deixavam. Havia muita pressão internacional. O país era visto como atrasado. Isabel sancionou durante viagem de D. Pedro ao exterior. Isso foi nos estertores do século 19, época em que ainda vivem nossos congressistas e o povo.
Deputado Moreira Mendes (PSD-RO)

Deputado Rubens Moreira Mendes (PSD-RO) foi condenado em 2014 a perda de direitos políticos por fraude a licitação e improbidade administrativa: vendia passagens aéreas à Assembleia Legislativa de Rondônia ao mesmo tempo em que era procurador da casa. Sua mulher também era funcionária de lá, talvez por coincidência. Ele é pai do ex-vereador de Porto Velho, Guilherme Erse (PPS-RO), tio do deputado estadual Davi Erse (PC do B) e cunhado do ex-prefeito de Porto Velho, Chiquilito Erse.

Família é a base de tudo. O filho de Moreira Mendes, o ex-vereador de Porto Velho, Guilherme Erse (PPS-RO), teve sua candidatura a deputado cassada pelo TRE-RO.  Ele comprava eleitores com cursos na área de informática oferecidos pelo Instituto Guilherme Erse Moreira Mendes, uma entre milhares de entidades "sem fins lucrativos" mantidas por políticos para financiar suas campanhas em todo o país.

Moreira Mendes tem um sobrinho, o deputado estadual Davi Erse (PC do B), que já foi cassado por infidelidade partidária. Ele foi eleito vereador pelo PSB, mas resolveu "virar à esquerda" e pulou para o Partido Comunista do Brasil, que conhecemos apenas como PC do B. Perdeu o mandato e deixou o TRE em prantos, alegando injustiça. Essa mudança "ideológica" também é coisa de famiglia, Seu falecido pai foi prefeito de Porto Velho. Chamava-se Chiquilito Erse.

Chiquilito pertenceu ao PDS, partido de sustentação da ditadura militar. Ele é o motivo pelo qual o último presidente general, João Batista Figueiredo, passou a manter um gravador em cima da mesa. Figueiredo estava cético em relação ao candidato dos militares a presidente, Paulo Maluf. Confidenciou a sensação a Chiquilito, que botou a boca no trombone e usou a informação para mudar de lado e votar em Tancredo Neves. O general ficou em maus lençois e nunca mais confiou em ninguém.

Por algum motivo, o exemplar Moreira Mendes manteve seus direitos políticos, já que é deputado federal. Ele assina o PL 3842/12, que redefine o conceito de trabalho escravo. A semântica é simples: a pessoa não será considerada escrava se tiver buscado o trabalho (?). Ou seja, não poderá alegar que foi enganada e desconhecia as condições degradantes definidas em leis e acordos internacionais. Só se tiver sido sequestrada, amarrada e jogada na senzala.


Luís Carlos Heinze: mudanças são
 para impedir desapropriação de imóveis rurais.
O projeto foi aprovado na íntegra pela Comissão de Agricultura. O relator é Luís Carlos Heinze (PP-RS), sucesso no Youtube, onde afirma que quilombolas, índios, gays e lésbicas são "tudo que não presta". Heinze quer mudar a lei para impedir a desapropriação de imóveis rurais. O projeto já está na Comissão de Trabalho. Depois vai à Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, e se aprovado, irá a Plenário. Como os latifundiários que dominam o Brasil desde o Império são maioria no Congresso, as chances de aprovação são grandes.

E finalmente, o último personagem, aquele incapaz de chegar ao segundo parágrafo de qualquer texto. O eleitor neo politizado que se diz escravo da corrupção pode acessar a íntegra do projeto aqui. Custa o mesmo que curtir a página de Jair Bolsonaro no Facebook: um simples clique.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Maldito Ouro Negro


Faro - O Tratado de Paris assinado hoje por 171 países cria nova esperança em ambientalistas de todo o mundo, mas ao longo do tempo alimentamos a pulga atrás da orelha. Afinal, o único avanço de Kyoto são os famigerados créditos de carbono, licença para matar que faz da Exxon um controverso Agente 007. Quase ao mesmo tempo da assinatura, um oleoduto rompeu ao sul de Gênova: maré negra no mar da Ligúria.

Enquanto isso, a exploração de petróleo no sul de Portugal enfrenta resistência. Ambientalistas cobram clareza do primeiro-ministro António Costa, que assinou o acordo mas manteve o projeto de fratura hidráulica no Algarve, região rica em pesca, fauna marinha e turismo sustentado. Costa diz que as plataformas não serão vistas pelos moradores e turistas porque serão submarinas. "A questão não é estética", rebatem. 

A destrutiva economia do petróleo devia estar morta há décadas, mas jazidas no Alasca, no Brasil e no oeste da Europa mantêm ricos os acionistas do "ouro negro" à custa da emissão de milhões de toneladas de metais pesados no ar a cada ano. Estamos de olho. Enquanto temos olhos.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Undying Love Fado



You're an impulsive unexpected sweet thing And I'm still that sad old clown bored to death Should I be wiser and not that Messing dog while you're spinning 'round I really forgot that you were there Never thought love vanishes in the air When a man's work arises, more can be less I spent my time writing, erasing and rewriting Hateful songs and poems and tales Tried to be your Mr. Writer till the end When it came, I was lost and ran away Sick of vengeance, found oblivion on Circe's tent Drank too much wine, shout over the celling Tumbling among the crowd, a life with no meaning You tried to save us from shrinking And then just broke our hearts that morning Stopped the time smashing things Maybe time is wise. Maybe it's just a dream I'm still writing meaningless words 'cause Never wanted lost my last love Never thought we could be just friends (Faro, Abril de 2016)

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Faro - Vamos polemizar???

O destituído FERNANDO COLLOR fez duas coisas boas e importantes em seu governo: modernizou a indústria automobilística, o que gerou competitividade e empregos. E criou uma gigantesca área protegida na Amazônia, a TI Yanomami, com 96.650 km². Portugal inteiro tem 92.212 km², incluídos os arquipélagos dos Açores e da Madeira. A BURGUESIA RURAL de Roraima, acostumada a SURRUPIAR terras indígenas PIRA COM ISSO e até hoje não se recuperou.

O vice-presidente ITAMAR FRANCO, que assumiu no lugar do impedido, brecou a hiperinflação com um fusca. Criou uma equipe de técnicos que conseguiu fazer a transição de uma moeda podre para outra mais forte que o Dólar.


FERNANDO HENRIQUE CARDOSO manteve a estabilidade da moeda e usou seu prestígio acadêmico para colocar o Brasil no mapa mundi. As portas se abriram, as exportações cresceram e ganhamos uma estabilidade econômica que apesar do crescimento inflacionário, AINDA se mantém.

O ex-torneiro mecânico LULA DA SILVA mostrou que, contra todas as evidências, podemos eleger um operário presidente. Quer você goste ou não, Lula estabelece o BRAZILIAN DREAM e promove a maior distribuição de renda (sem ironias) que já houve: alterou definitivamente a pirâmide social. É esmola? Isso te chateia? Você supera. Respire. Respire, que tem mais: Lula criou a TI Raposa Serra do Sol, com 103.415 km². Os parentes hoje têm um país maior que a Islândia. E, sim, A BURGUESIA RURAL de Roraima, acostumada a SURRUPIAR terras indígenas, PIRA COM ISSO.

A primeira mulher a assumir o governo, DILMA ROUSSEFF, promoveu mudanças importantes nas relações de gênero e etnia. A BURGUESIA RURAL de Roraima, acostumada a DIFAMAR os índios nos jornais, PIRA COM ISSO. Dilma comanda o segundo maior programa habitacional do mundo. O primeiro é conduzido por Nicolás Maduro. Ui, essa doeu bastante. Calma, respire fundo. Isso passa.

É muito fácil promover uma agenda negativa. Difícil é observar sem paixões, perceber que o país melhorou, independente de siglas partidárias, ratos ou hienas, porque os brasileiros assim DECIDIRAM. Não perca de vista essa vontade por causa do Fla-Flu atual. Com ou sem Impeachment, a noção de nação é mais importante que nossas vãs filosofias.

Um brazuca em Varsóvia

Faro - Era meu último dia em Varsóvia quando notei as sandálias havaianas com bandeiras do Brasil. Quem usaria isto, aqui, onde se fala mais russo que inglês e fica bem longe de Miami? Eu estava afastado da língua portuguesa há muitos dias, numa viagem chicobuarqueana, completamente analfabeto diante dos cartazes, placas, anúncios e conversas em polonês. E de repente encontro David Marques, que como eu é fã da Cortina de Ferro, Jazz, Pink Floyd e roteiros pouco ortodoxos. Falamos de Minsk e Tbilisi, nossos próximos roteiros. Já estou ao norte da África e ele continua por lá, país sem geladeiras e ar condicionados (pode existir, mas não vi), onde não se vê papel no chão. Provavelmente em Cracóvia ou Zakopane. Grande figura.

terça-feira, 12 de abril de 2016

Impeachment?

Faro - Algumas observações toscas e sem sentido sobre a complexa realidade de um país em crise:
1 - Impeachment não é golpe porque é constitucional, mas...
1.1 - Impeachment é golpe porque é feito por colégio eleitoral.
2 - A corrupção não foi inventada pelo PT, mas...
2.1 - A corrupção foi reinventada pelo PT.
3 - Opor-se ao governo é um ato de resistência à corrupção, mas...
3.1 - O governo será substituído pela própria corrupção.
4 - A crise é política e econômica, mas...
4.1 - A crise é moral.
5 - Eu estou com a razão, mas...
5.1 - Você também tem razão.

Impeachment?!

Faro - Tornei-me oposição ainda no primeiro mandato de Lula. Não voto há várias eleições. Não acredito que um partido com 15 segundos na TV tenha chances contra os 10 minutos de outro. Não acredito no presidencialismo. Não acredito em 37 partidos políticos, essa diversidade ideológica inexiste.

Fernando Collor não era o único vilão no primeiro impeachment. Dilma Rousseff não é a única no segundo. Não acredito em boas intenções da Câmara ou do Senado, porque seus integrantes são abjetos. Acredito que neste domingo haverá uma distribuição de dinheiro como nunca houve na história desse país.

Nem Privataria, nem Mensalão e muito menos o primeiro impeachment podem ser comparados. Deputados e senadores recebem dos dois lados. Negociarão até o último minuto e como terão sido regiamente pagos pela ala pró e pela ala contra, estarão livres para votar com suas consciências. De ratos que são.